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Introdução
O presente - A cidade de Ubatuba
Com suas 73 praias - muitas delas em estado natural de conservação -, e tendo oitenta por cento de seu território abrangido pelos parques da Bocaina e da Serra do Mar, o turismo é a principal fonte de renda de Ubatuba.
O desenvolvimento urbano desordenado, o turismo predatório, o grande número de migrantes em busca de trabalho, assim como a falta de perspectiva de formação profissional e de emprego para jovens, têm provocado, além de graves problemas sociais, a deterioração do meio ambiente.
A atividade turística em Ubatuba está degradando seu principal atrativo: a Natureza da região. O futuro possível - Educar para Transformar
Entretanto, a dissonância entre o potencial econômico da região e as condições reais de vida da população cria uma tensão que, se positivamente canalizada, pode gerar um modelo de desenvolvimento sustentável para a região.
E ninguém melhor do que os próprios moradores da região para assumir o papel de idealizadores e executores deste modelo, já que são os beneficiários mais imediatos das vantagens de um desenvolvimento sustentável.
A formação de pessoas capazes de mudar o jeito de moradores e turistas interagir com o meio ambiente pode minimizar os impactos do turismo e da especulação imobiliária, criando um sistema em que o uso não implique na exaustão dos recursos.
Por quê a opção por adolescentes?
A faixa etária que se pretende atingir é considerada um momento de desestruturação e reestruturação da personalidade do ser humano. É o momento em que o jovem busca novos significados para sua vida, focando toda sua energia na escolha da profissão certa, que o faça se sentir realizado.
A adolescência é o “solo fértil” para “plantarmos” sementes de futuros Agentes Ambientais. Essas sementes germinarão, qualquer que seja a profissão escolhida, e transformarão para sempre sua forma de enxergar e de se relacionar com o mundo.
A isto, se soma a possibilidade de profissionalização, facilitando a obtenção de emprego em organizações não-governamentais, estabelecimentos envolvidos direta ou indiretamente com o Turismo, ou na própria prefeitura de Ubatuba.
Reforça-se, assim, a ligação entre o futuro do jovem e o da cidade, pois ganha o jovem, que receberá remuneração, e ganha a região, que terá amenizada a atual situação de desemprego e os problemas sociais e ambientais.
Por quê um barco?
Desenvolver um Barco-Escola é criar um ambiente de aprendizagem in loco, que, além de aumentar a possibilidade de sensibilização, atende aos princípios da filosofia educacional do projeto.
No barco, os jovens poderão ver e sentir o impacto de uma garrafa de plástico no mar. Poderão ver e sentir o comportamento de um turista sem instrução, e a destruição que isto pode causar. E, por fim, poderão ver e sentir a grandeza e o poder da natureza (montanhas, florestas, mar, vida marinha).
É este sentimento que os transformará em Guardiões dos Oceanos.
Ubatuba - Um Diagnóstico:
Observação da Realidade:
Pesquisa realizada pelo Comitê de Bacias Hidrográficas com 90 famílias que moram ilegalmente em área do Parque Estadual da Mata Atlântica revelou o seguinte diagnóstico:
· Grande quantidade de migrantes;
· Falta de identidade da população com a cidade;
· Atividade turística predatória
· Urbanização rápida e desordenada;
· Especulação imobiliária
· Poluição dos mananciais que abastecem a cidade
· Falta de empregos e baixa qualidade de vida;
Atividade econômica atual:
Grande parte das atividades desenvolvidas pelos entrevistados está ligada direta ou indiretamente ao Turismo. Serviços temporários (prestados apenas na alta temporada), como ajudante em quiosque de praia, jardineiro e piscineiro em casa de família, são bastante comuns (2).
Assim, é possível perceber a importância de associar o desenvolvimento sustentável com a prática do turismo.
Condições de saneamento:
A captação de água é predominante feita através de mangueirões colocados nos rios, que captam a água a ser fornecida. Pouquíssimas residências possuem caixa d’água, o que gera grande desperdício de água.
O lixo é queimado ou enterrado no próprio local. Apenas uma pequena parte é depositada “a céu aberto”. Fossas negras são usadas para o despejo de efluentes. A maioria das residências não possui banheiros (3).
Essas condições precárias contribuem para a disseminação de doenças de veiculação hídrica, elevando a taxa de mortalidade infantil no município. As condições de moradia resultam em péssima qualidade de vida para os moradores, além de aumentarem as despesas da Municipalidade com Saúde e tratamento de água.
Diagnóstico geral:
Rápida degradação do Meio Ambiente e baixa qualidade de vida. Visão Positiva de Futuro:
É este quadro que o projeto "Guardiães do Oceano" quer reverter, implementando condições para a construção de um futuro diferente para a cidade, criando: · uma população consciente e engajada em proteger seu patrimônio natural e histórico, com orgulho em preservar suas raízes caiçaras;
· uma população forte, com autonomia para estabelecer diretrizes tanto no desenvolvimento do Turismo, como na especulação imobiliária;
· uma população capaz de gerar renda e empregos através do Turismo Sustentável;
Visão Positiva Geral de Futuro:
Uma cidade que se torne modelo de desenvolvimento para toda a extensão do litoral norte de São Paulo Objetivo Geral do Projeto:
Desenvolver e fortaclecer uma metodologia de educação ambiental participativa que contribua para conservação do Litoral Norte do Estado de São Paulo, formando pessoas da região para que se tornem Agentes Multiplicadores de Intervenção local. Projeção de Resultados do Projeto:
Ao final do Projeto, cada participante deverá ter: 1. desenvolvido uma visão mais ampla e crítica de seu contexto de vida, seja ambiental, político, social ou econômico, e das necessidades e potencialidades locais.
2. despertado, através de um trabalho de autoconhecimento, a confiança no seu potencial interno, para acreditar e concretizar seus sonhos.
3. vivenciado e refletido sobre o processo de trabalho em grupo, contribuindo assim para o estabelecimento de relações interpessoais cooperativas.
4. resgatado o sentimento de identidade com a cidade de Ubatuba e, desta forma, despertado para a importância da sua conservação.
5. construído, com o grupo, um banco de dados que contenha informações sobre organizações sociais, projetos locais, associações de amigos de praia, legislações, etc, da região.
6. planejado uma ação de intervenção local, a partir do que ele aprender na Oficina.
7. maior preparo para atuar como profissional no mercado de trabalho.
8. elaborado, com o grupo, uma exposição sobre essas ações. Notas: (1) De acordo com dados da fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados do Estado de São Paulo) Ubatuba tem em torno de 60 mil habitantes, sendo que o índice de urbanização do município é de 93,37% . A população de Ubatuba cresceu 25% entre 1991 e 1998. Quase 70% dos chefes de família vivem com menos de três salários mínimos e quase 50% com menos de dois salários mínimos. A taxa de evasão escolar do ensino fundamental é de 7,75% e do ensino médio é de 19,27%. (2) Dos entrevistados, 17% praticam alguma forma de agricultura, 11% trabalham como caseiro 9% trabalham na construção civil, 26% serviços temporários, 4% encontravam-se desempregado, e demais outras atividades (aposentado, caminhoneiro, comerciante, costureira, cozinheira, empregada doméstica, funcionário publico, industria). (3) Resíduos sólidos: 76% do lixo residencial produzido é queimado, 8% é coletado e levado para lixeiras públicas e demais enterrado. Condições sanitárias: 57% possuem fossa negra e 43% não possuem banheiro. Captação de água: 96% captação direta do curso d’água e 4% caixa d’água –rio. Metodologia: Fundamentação Teórica "A educação ambiental começa em casa. Atinge a rua e a praça. Engloba o bairro. Abrange a cidade ou a Metrópole. Ultrapassa as periferias. Repensa o destino dos bolsões de pobreza. Penetra na intimidade dos espaços ditos "opressores". Atinge as peculiaridades e diversidades regionais. Para só depois, integrar em mosaico, os espaços nacionais. E, assim, colaborar com os diferentes níveis de sanidade exigidos pela escala planetária, dum fragmento de astro que asilou a vida e deu origem aos atributos básicos do ser que pensou o Universo.
Aziz Nacib Ab'Saber Não apenas seres e elementos da Natureza compõem o meio ambiente; nossa casa, nosso corpo e as relações que temos com as outras pessoas também são nosso meio ambiente, idéia que deve permear todo o processo educacional relativo ao meio ambiente. Some-se a isso o fato de que a Educação Ambiental não pode se restringir a uma única das disciplinas tradicionais, como Matemática, Física; deve, na verdade, articular conhecimentos das várias disciplinas, para criar uma conexão entre elas que possa apreender a complexidade real do mundo. Por isso, o Projeto Barco-Escola se utiliza de técnicas e conceitos de Educação Ambiental que partem da dimensão micro para a dimensão macro, ou seja, do meio ambiente “indivíduo” para as relações interpessoais, para qualidade de vida no bairro, na cidade e no planeta. As bases metodológicas do projeto são a Pedagogia Social, a Educação Ambiental, a Agenda 21 do Pedaço e Oficina do Futuro. Avaliação de resultados:
Os resultados dos projetos serão avaliados medido os seguintes dados: · Quantidade dos projetos de intervenção local que forma colocada em práticas;
· Avaliação dos resultados desses projetos de intervenção local;
· Avaliação das transformações do jovens durante o projeto, realizada através de questionários e registros de imagens. |